Rui Bragança
Oito anos depois, “aparece” a segunda medalha mundial…
Oito anos depois tenho uma medalha de bronze que vale mais que muitos ouros!

Desta vez a preparação foi normal. Felizmente não houve contratempos nem lesões de última hora, os opens de preparação não foram perfeitos voltava sempre com algo a melhorar. Até aqui nada de novo. Essa já tinha sido a história de outros mundiais e competições importantes, umas com bom resultado outras com nada mais do que uma desilusão.

A primeira, a de vice-campeão do mundo em 2011 na Coreia do Sul, foi algo incrível onde só me apercebi depois de o momento ter passado… quando estava no pavilhão, quando estava nos combates, aquela era só mais uma prova. Aquela era a competição em que o objetivo era ganhar dois combates, adquirir experiência e acima de tudo desfrutar de cada round e de cada ponto.
Assim foi! Em vez de 2 combates, foram 5 combates ganhos… em vez de ser uma boa estreia, foi um dia perfeito em que aprendi e fiz coisas dentro e fora do ringue que mudaram o atleta que era.

Fruto da experiência, desta vez o sentimento era diferente, era “O” mundial.
No palco onde todos os atletas vêm tentar ter o melhor dia, em que todas as preparações são super cuidadosas, onde não há combates fáceis, onde tantas surpresas acontecem naquela competição que é o evento principal de todos os países!
Era o voltar a fazer um campeonato do mundo em -58 kg, é estar a 1 ano do apuramento olímpico e desde 2016 que as coisas nunca corriam realmente bem! Falhas aqui, mudanças ali, pequenos e grandes azares, mas a verdade é que nada saía como devia, ou pelo menos como eu queria!
Oito anos depois, o dia voltou a ser “daqueles”. O dia voltou a ser dos bons, a minha mente voltou a estar calma, e tudo voltou a correr bem!
Desta vez eu sabia, e consegui apreciar a importância de cada combate, de cada ponto… ver a zona de aquecimento lotada às nove da manhã e lentamente o silêncio a ganhar espaço até ficarmos a uma mão de atletas presentes.

Pela segunda vez tive os meus pais comigo numa competição importante, mas pela primeira vez consegui desfrutar verdadeiramente. Ter o privilégio de partilhar este momento com eles fazem a medalha valer mil vezes mais!
Um enorme obrigado a todos os que fizerem parte deste caminho e espero que continuem aí.
Vamos a meio!

Beijinhos e abraços